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sexta-feira, 25 de maio de 2012
Um brado retumbante pela não extinção da Língua Portuguesa 2
No embate TV versus Língua Portuguesa lamento informar que o nosso Português está perdendo de lavada, algo parecido a 18 x 0 de um jogo de futebol. E não me refiro à TV aberta, não. Estou me referindo à TV por assinatura que, em troca de uma gorda mensalidade, promete ao “amigo assinante” uma programação diversificada e de qualidade.
De uns meses pra cá a TV paga resolveu ficar mais popular, para atender o número crescente de assinantes da chamada Classe C. Como, na mídia, “popular” é quase sempre confundido com “popularesco”, no seu sentido mais negativo, de ordinário, grosso,vulgar, a alardeada popularização atinge em cheio a nossa castigada língua portuguesa, diariamente massacrada pelo conceito torto do que seja ”linguagem coloquial”.
Sob o pretexto de falar a língua do povo, os patéticos apresentadores dos novos programas exibem, sem um pingo de vergonha, uma crassa ignorância das regras mais banais do português do dia a dia e apelam para um amontoado de lugares-comuns, vícios de linguagem, excesso de gírias e pleonasmos óbvios. Sem falar nas punhaladas mortíferas aplicadas com zelo e garra às concordâncias nominal e verbal.
O uso indiscriminado de palavrões merece um parágrafo à parte. Com a percepção preconceituosa e distorcida de que a classe C é, por definição, ignorante, mal educada e semi-analfabeta, palavras como bom, ruim, difícil, legal, péssimo, ótimo, na moda são substituídas com naturalidade por palavrões cabeludos e termos chulos.
Não sei o que está sendo mais desmoralizado e denegrido nessa nova programação “popular” da TV paga. Nossa língua portuguesa ou o povo brasileiro?
De uns meses pra cá a TV paga resolveu ficar mais popular, para atender o número crescente de assinantes da chamada Classe C. Como, na mídia, “popular” é quase sempre confundido com “popularesco”, no seu sentido mais negativo, de ordinário, grosso,vulgar, a alardeada popularização atinge em cheio a nossa castigada língua portuguesa, diariamente massacrada pelo conceito torto do que seja ”linguagem coloquial”.
Sob o pretexto de falar a língua do povo, os patéticos apresentadores dos novos programas exibem, sem um pingo de vergonha, uma crassa ignorância das regras mais banais do português do dia a dia e apelam para um amontoado de lugares-comuns, vícios de linguagem, excesso de gírias e pleonasmos óbvios. Sem falar nas punhaladas mortíferas aplicadas com zelo e garra às concordâncias nominal e verbal.
O uso indiscriminado de palavrões merece um parágrafo à parte. Com a percepção preconceituosa e distorcida de que a classe C é, por definição, ignorante, mal educada e semi-analfabeta, palavras como bom, ruim, difícil, legal, péssimo, ótimo, na moda são substituídas com naturalidade por palavrões cabeludos e termos chulos.
Não sei o que está sendo mais desmoralizado e denegrido nessa nova programação “popular” da TV paga. Nossa língua portuguesa ou o povo brasileiro?
Um brado retumbante pela não extinção da Língua Portuguesa
Nossa língua portuguesa sofre novas agressões a cada dia, várias delas apoiadas e sustentadas pelo Ministério da Educação e Cultura. Desta vez duas punhaladas foram dadas em grande estilo, com pompa e circunstância, e transmitidas ao vivo para todo o país. O golpe dado pela nova ministra da Casa Civil só feriu o português. Mas a segunda punhalada, desferida pelo deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul e presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia, foi dolorosa e quase mortal.
Em seu primeiro pronunciamento oficial como ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, senadora do PT pelo Paraná, declarou que ”Meu perfil é um perfil que se adéqua àquilo que ela (a presidente Dilma) pretende”.
Adequar é, até segunda ordem, um dos verbos defectivos mais conhecidos e que pior soam quando conjugados nas pessoas, modos ou tempos inexistentes.* O uso de adequar na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo seria um erro até desculpável se fosse cometido por nós, simples mortais, em nosso papo com amigos. Mas, sem querer dar uma de xiita e malhar a moça antes mesmo de ela “esquentar os motores” , “…um perfil que se adéqua…”, dito por uma Ministra de Estado, em pronunciamento oficial transmitido para o Brasil inteiro, é, no mínimo, um erro grosseiro.
O perigo maior de encarar erros desse tipo como “normais”, como um “deslize”, é a condescendência que vem embutida nessa atitude. Perdoa-se aqui, finge-se que não percebeu ali, ignora-se acolá e, depois de um tempo, passa a ser aceitável que um ministro abula certas regras e demula – ou demola – barreiras!
Já o erro cometido por Marco Maia é tão primário que não merece nenhuma desculpa ou defesa. Em entrevista ao Jornal Globo News, no dia 7 de junho, o deputado federal e presidente da Cãmara falou ”…fazem dez dias…” com uma naturalidade que denotava conforto e bem-estar com o modo de se expressar. A ignorância sobre o uso correto do verbo fazer indicando tempo decorrido e, neste caso, tratado como impessoal, me leva a crer que “haverão” mais problemas gramaticais nos próximos discursos do ilustre deputado.
*Apesar de o Dicionário Houaiss admitir a conjugação completa do verbo adequar, a maioria dos nossos gramáticos ainda o considera um verbo defectivo. A norma culta, ingrediente principal da polêmica sobre o livro didátco Por uma Vida Melhor, escolhido e distribuído pelo MEC, não aceita a conjugação completa de adequar.
Em seu primeiro pronunciamento oficial como ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, senadora do PT pelo Paraná, declarou que ”Meu perfil é um perfil que se adéqua àquilo que ela (a presidente Dilma) pretende”.
Adequar é, até segunda ordem, um dos verbos defectivos mais conhecidos e que pior soam quando conjugados nas pessoas, modos ou tempos inexistentes.* O uso de adequar na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo seria um erro até desculpável se fosse cometido por nós, simples mortais, em nosso papo com amigos. Mas, sem querer dar uma de xiita e malhar a moça antes mesmo de ela “esquentar os motores” , “…um perfil que se adéqua…”, dito por uma Ministra de Estado, em pronunciamento oficial transmitido para o Brasil inteiro, é, no mínimo, um erro grosseiro.
O perigo maior de encarar erros desse tipo como “normais”, como um “deslize”, é a condescendência que vem embutida nessa atitude. Perdoa-se aqui, finge-se que não percebeu ali, ignora-se acolá e, depois de um tempo, passa a ser aceitável que um ministro abula certas regras e demula – ou demola – barreiras!
Já o erro cometido por Marco Maia é tão primário que não merece nenhuma desculpa ou defesa. Em entrevista ao Jornal Globo News, no dia 7 de junho, o deputado federal e presidente da Cãmara falou ”…fazem dez dias…” com uma naturalidade que denotava conforto e bem-estar com o modo de se expressar. A ignorância sobre o uso correto do verbo fazer indicando tempo decorrido e, neste caso, tratado como impessoal, me leva a crer que “haverão” mais problemas gramaticais nos próximos discursos do ilustre deputado.
*Apesar de o Dicionário Houaiss admitir a conjugação completa do verbo adequar, a maioria dos nossos gramáticos ainda o considera um verbo defectivo. A norma culta, ingrediente principal da polêmica sobre o livro didátco Por uma Vida Melhor, escolhido e distribuído pelo MEC, não aceita a conjugação completa de adequar.
Clementeartcult: Barack Obama (crayon)Franck Sinatra (sépia)
Clementeartcult: Barack Obama (crayon)
Franck Sinatra (sépia): Barack Obama (crayon) Franck Sinatra (sépia)
Franck Sinatra (sépia): Barack Obama (crayon) Franck Sinatra (sépia)
domingo, 29 de abril de 2012
VOU-ME EMBORA PRO PASSADO
Esta é sensacional, imperdível. Poeta paraibano, arretadamente teatralizado em suas performances declamatórias, pronto falei. " ...O PASSADO É BOM DEMAIS..."
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Curiosidades
EXPRESSÕES CURIOSAS
JURAR DE PÉS JUNTOS:
"Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu". A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.
MOTORISTA BARBEIRO :
"Nossa, que cara mais barbeiro!" No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira..
TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
"Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!" No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.
À BEÇA:
O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.
DAR COM OS BURROS N'ÁGUA :
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.
GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" pra designar algo muito bem guardado..
OK:
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".
ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS :
Existe uma história, não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou, por entregar Jesus, dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu a expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.
PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA :
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.
PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas
"pra inglês ver". Daí surgiu o termo.
RASGAR SEDA :
A expressão, que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".
O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER :
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver.
ANDAR À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra.
Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.
QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO :
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.
DA PÁ VIRADA:
A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita.
NHENHENHÉM :
Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indìgenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".
VAI TOMAR BANHO :
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. O cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".
ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM :
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês, que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português, que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: "Nós somos brancos, cá nos entendemos".
A DAR COM O PAU :
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sopa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.
ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literários foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a.C. - 18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase pra que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.
JURAR DE PÉS JUNTOS:
"Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu". A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.
MOTORISTA BARBEIRO :
"Nossa, que cara mais barbeiro!" No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira..
TIRAR O CAVALO DA CHUVA:
"Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!" No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.
À BEÇA:
O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.
DAR COM OS BURROS N'ÁGUA :
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.
GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" pra designar algo muito bem guardado..
OK:
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".
ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS :
Existe uma história, não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou, por entregar Jesus, dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu a expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.
PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA :
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.
PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas
"pra inglês ver". Daí surgiu o termo.
RASGAR SEDA :
A expressão, que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".
O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER :
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver.
ANDAR À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra.
Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.
QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO :
Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.
DA PÁ VIRADA:
A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo homem vagabundo, irresponsável, parasita.
NHENHENHÉM :
Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indìgenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".
VAI TOMAR BANHO :
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. O cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".
ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM :
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês, que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português, que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: "Nós somos brancos, cá nos entendemos".
A DAR COM O PAU :
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sopa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.
ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA:
Um de seus primeiros registros literários foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a.C. - 18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase pra que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
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